Ciente da importância do agronegócio para a economia brasileira não apenas na composição do PIB, mas também no superávit da balança comercial, a Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI deu continuidade em 2024 a ações de fomento à competitividade e à produtividade do setor. As iniciativas tiveram um foco em comum: a transformação digital da agroindústria.
Editais regionais e nacional foram alguns dos instrumentos de estímulo à Agricultura de Precisão voltada ao aumento da produtividade e da sustentabilidade no campo.
Em março, a Agência e a Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) lançaram um edital inédito para fomentar a adoção e a difusão de tecnologias 4.0 em propriedades rurais da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF).
Com investimento de até R$ 900 mil, o Edital Agro 4.0 – edição AgroBrasília foi estruturado em seis categorias: controle e desempenho de máquinas agrícolas; monitoramento avançado na pecuária; controle de pragas e doenças; tecnologias para armazenamento e pós-colheita; irrigação e gestão hídrica; e prevenção de incêndios.
Os selecionados no edital, que destinou R$ 150 mil a cada projeto vencedor, foram apresentados em maio no Pavilhão de Inovação da AgroBrasília 2025. Os resultados alcançados por cada solução ao longo de suas aplicações na Ride-DF, por sua vez, serão divulgados na AgroBrasília 2026.
Startups do Nordeste
Na mesma direção, a ABDI e o SiDi – Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação lançaram, em agosto, o Agro 4.0 – Edição Nordeste, edital que selecionou startups nordestinas com soluções tecnológicas inovadoras voltadas ao agronegócio.
Além de receberem até R$ 20 mil, as propostas vencedoras passarão a integrar a Neo Agro 4.0 — plataforma que reúne dados, informações e iniciativas inovadoras do setor na região, com o objetivo de impulsionar a transformação digital no campo.
A iniciativa manteve o olhar atento da ABDI sobre o potencial da região: com uma produção de R$ 39,4 bilhões, o Nordeste foi a segunda região mais lucrativa do Brasil no agronegócio, em 2023. Dentre os 100 municípios mais rentáveis do segmento, treze são nordestinos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM).
Institutos federais
Parcerias da ABDI com instituições de ensino também foram frentes importantes de difusão de soluções 4.0 no campo, este ano. Foi o caso da cooperação da Agência com os institutos federais do Acre (IFAC), de Brasília (IFB) e de Tocantins (IFTO).
Formalizada por meio de convênio, a parceria da ABDI com o IFAC consiste na criação do primeiro Laboratório de Agricultura 4.0 do Acre. Lançado em novembro por meio de uma pedra fundamental, o espaço será estruturado com aportes de R$ 1.180.706,74, da ABDI, e de R$ 241.256,40, do instituto.
A Fundação de Educação, Tecnologia e Cultura da Paraíba (Funetec-PB) atua como interveniente na gestão do projeto, que objetiva ampliar a capacidade de análise de solo no estado, reduzir custos para produtores e aumentar a produtividade da agricultura familiar com o uso de tecnologias de ponta.
A estrutura será, na prática, um complexo de Agricultura 4.0 dividido em dois laboratórios principais: o Laboratório de Análise de Solos e de Tecido Vegetal e o Laboratório de Máquinas e Implementos Agrícolas equipados com instrumentos de última geração.
O destaque é a compra de um espectrofotômetro de absorção atômica, equipamento de alta precisão, avaliado em R$ 438 mil, que será o coração das análises de solo. Além dele, o complexo contará com um trator agrícola de 100 cv (R$ 360 mil) preparado para agricultura de precisão e um drone para mapeamento e georreferenciamento (R$ 43 mil).
Por ocasião do lançamento, o produtor e presidente da Cooperativa de Agricultura e Economia Solidária do Vale do Baixo Acre (Coopaes), Antônio Werneck, destacou a importância do laboratório para a região:
“A análise do solo é fundamental, é o ponto de partida. Sem ela, a agricultura seria como plantar sem planejamento, confiando apenas na sorte. Com a análise, poderemos ter uma produção mais precisa, aumentar a rentabilidade e melhorar a qualidade de vida dos agricultores.”
O projeto tem duração de 24 meses e prevê um modelo de autossustentabilidade. Após sua conclusão, o IFAC assume a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos. A oferta de serviços de análise de solo para produtores, por sua vez, será gerenciada por uma fundação de apoio.
Geoprocessamento e georreferenciamento
Também em novembro, a ABDI e o IFB inauguraram o Laboratório Agro 4.0, primeiro centro de agricultura de precisão e tecnologia inovadora do Distrito Federal.
Destinado a pesquisas e testes de soluções avançadas para o campo, o Laboratório Agro 4.0 é igualmente resultado de convênio da Agência com o Instituto Federal. Formalizada em 2024, a parceria viabilizou o repasse de R$ 3,5 milhões da Agência ao instituto para construção da unidade e aquisição dos equipamentos que a compõem.
O laboratório permitirá análises de terra e de plantas; geoprocessamento e georreferenciamento do solo; fitopatologia (análise de plantas doentes para determinar seus agentes causais); prototipagem para inovação e automação em sistemas de produção agrícola; e acesso a máquinas e implementos agrícolas para Agricultura 4.0.
Hortas circulares
O Tocantins também foi contemplado com novas ideias para o campo. Em dezembro, a ABDI, o Instituto Federal de Tocantins (IFTO) e a Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (FAPTO) assinaram um convênio de Cooperação Técnica e Financeira no valor de R$ 1,93 milhão para a criação do Laboratório Agro 4.0 – Inovação e Sustentabilidade no Cerrado.
O documento prevê aportes de R$ 1.715.845,55 da ABDI e de R$ 216.742,02 do IFTO para a execução de ações destinadas à promoção da inovação tecnológica e da sustentabilidade na agricultura familiar em Dianópolis, Almas, Porto Alegre do Tocantins, Novo Jardim e Rio da Conceição.
As ações, sob responsabilidade do Campus Dianópolis do instituto, consistem na implementação de 20 hortas circulares integradas a piscicultura em tanques revestidos com geomembranas, solução que facilita a instalação, reduz perda de água e favorece a adaptação dos reservatórios a diferentes terrenos.
Distribuídas nas cinco localidades e também destinadas a estudos de professores e alunos do IFTO, as 20 unidades de referência tecnológica somarão 2.500 m² de plantio de hortaliças, tubérculos e frutíferas. Os tanques poderão produzir uma tonelada de peixes por ciclo em dinâmicas que promoverão a degradação de resíduos orgânicos e estudos associados às novas estruturas.
“Com esta estrutura, o resultado que buscamos é a transformação do campo: capacitar produtores a agregarem valor, aumentando a competitividade, a eficiência e a sustentabilidade de suas atividades”, explica a gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI, Isabela Gaya. “O Laboratório também fortalece diretamente a formação e a extensão rural, ampliando o alcance da difusão tecnológica.”
Paralelamente ao ensino técnico, a parceria da ABDI com o instituto tem a expectativa de mitigar problemas regionais como o baixo nível tecnológico e a baixa rentabilidade na agricultura familiar, causa do êxodo rural; a escassez de práticas sustentáveis de manejo da água e do solo; e o déficit de produção local de hortifrutigranjeiros por meio da ampliação de oportunidades de mercado para a agricultura familiar local.
Fonte Oficial: https://www.abdi.com.br/editais-e-convenios-reafirmaram-atencao-da-abdi-ao-agro-em-2025/