O quarto dia do Festival Curicaca foi marcado por um debate sobre como a cultura e a identidade brasileira podem impulsionar a inovação e o propósito da indústria nacional. O painel “Inovação com Identidade: como a cultura brasileira influencia produtos, processos e propósito na indústria”, realizado no Palco Inovação – FINEP, teve mediação da jornalista Adriana Silva e reuniu especialistas de diferentes setores.
Boas práticas e resíduos: o desafio da economia circular
A sustentabilidade na indústria foi um dos temas centrais da conversa. Ana Cláudia Gomes, vice-presidente da área de Responsabilidade Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), destacou o papel da entidade na promoção de iniciativas sustentáveis e na elaboração do Guia de Boas Práticas da CBIC. Entre os exemplos citados, estão o Prêmio CBIC de Responsabilidade Social e o projeto “Se essa rua fosse minha”, que reforçam a importância do envolvimento social nas ações de sustentabilidade.
Ao abordar projetos de economia circular voltados ao desenvolvimento regional, Sissi Alves, diretora do Departamento de Novas Economias do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), defendeu a necessidade de enfrentar o problema dos resíduos e rejeitos descartáveis. “A cadeia da reciclagem é por onde devemos começar”, afirmou.
Sissi ressaltou ainda o incentivo a cooperativas de reciclagem, em parceria com o MDIC e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), além do Programa Selo Verde Brasil, que certifica produtos e serviços sustentáveis.
Construção civil e mudanças climáticas: desperdício e oportunidade
A engenheira civil e doutora pela UTFPR Mayara Munaro trouxe ao debate os efeitos das mudanças climáticas, como secas e ondas de calor, sobre as construções brasileiras.
“Esses fenômenos afetam nossas edificações, principalmente as informais. Quem paga o maior preço é a população de menor renda”, alertou.
Mayara apresentou dados que evidenciam o desafio do setor: entre 40% e 50% dos recursos naturais são consumidos pela construção civil, enquanto o índice nacional de reciclagem ainda está abaixo de 2% da capacidade instalada.
Para ela, é urgente transformar o desperdício em valor, fortalecendo a economia circular como caminho para um modelo mais sustentável.
“A economia circular é sinônimo de inovação, sustentabilidade e identidade local. O Brasil tem potencial para ser referência global em construção circular e de baixo carbono”, concluiu.
Inovação social e o papel do consumidor
O setor privado também marcou presença no debate. Lucas Lima, diretor de Políticas Públicas da Ambev, abordou a importância de conectar inovação e propósito aos valores do consumidor. Lucas destacou ainda o papel dos catadores autônomos na cadeia produtiva da reciclagem.
“Perceber isso e integrá-los ao nosso ciclo produtivo foi fundamental”, disse, reforçando a importância de valorizar esses profissionais para o fortalecimento da economia circular no país.
Fonte Oficial: https://www.abdi.com.br/identidade-e-sustentabilidade-o-brasil-na-vanguarda-da-inovacao-industrial/