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Orçamento público é estratégia

A aprovação do orçamento brasileiro para 2025 expôs, mais uma vez, os entraves do processo orçamentário no País. Embora tecnicamente eficiente na estrutura formal — com prazos, ritos e debates previstos em lei —, na prática, esse processo tem se transformado em um verdadeiro teatro político. O resultado é previsível: dúvidas nos investimentos, insegurança entre gestores públicos e pouco comprometimento com o ajuste fiscal.

O orçamento começou a ser elaborado pelo Executivo sob a promessa de responsabilidade e com uma meta fiscal ambiciosa, o déficit zero. O novo arcabouço, que substituiu o antigo teto de gastos, buscava oferecer regras mais flexíveis, mas com eficácia garantida. No entanto, o que se viu foi uma articulação política lenta, sucessivas revisões nos números e um esforço tímido para lidar com o verdadeiro problema estrutural — o crescimento descontrolado das despesas obrigatórias.

A morosidade teve consequências diretas. O orçamento só foi aprovado em março, três meses após o início do ano. Nesse intervalo, ministérios operaram com recursos provisórios, projetos foram paralisados por falta de verbas definidas e gestores estaduais e municipais ficaram no escuro, sem saber quanto (ou quando) poderiam contar com os repasses federais. Essa lentidão cria um limbo institucional, em que todos aguardam que alguém tome a iniciativa.  Paralelamente, o discurso de austeridade está cada vez mais dissociado da prática. As despesas com pessoal aumentaram, os custos previdenciários seguem trajetória ascendente e os programas sociais mantêm orçamentos elevados — frequentemente desvinculados de avaliações de impacto ou eficácia. Muitos deles, inclusive, já se distanciaram de seus objetivos originais, sem qualquer revisão crítica. 

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Falta vontade política para rever privilégios que drenam os cofres públicos sem gerar retorno social ou econômico. A inércia revela que a máquina pública continua operando no modo automático, presa a velhas práticas, sem disposição real para mudanças estruturais. Enquanto isso, reina a indefinição. Empresas adiam investimentos, prefeituras recuam nas programações e sociedade civil tenta decifrar o enigma fiscal brasileiro. A inércia no processo orçamentário não é só um problema técnico, mas sintoma de um modelo político que prioriza interesses imediatos em detrimento da eficiência pública e do planejamento de longo prazo.

O orçamento deste ano não é um documento qualquer, pois deveria apontar os rumos do País em um ano marcado por expectativas de retomada econômica, pressão por investimentos em infraestrutura e demandas sociais crescentes. Transformá-lo em uma peça tardia, confusa e repleta de remendos compromete não apenas a execução das políticas públicas, como também a credibilidade das instituições envolvidas na sua elaboração.

É hora de romper esse ciclo. O maior erro do Brasil é tratar o orçamento como uma mera obrigação burocrática — quando, na verdade, deveria ser encarado como uma ferramenta estratégica, capaz de definir os caminhos do desenvolvimento e do crescimento sustentável. Isso só será possível quando governo e Congresso deixarem de atuar como coadjuvantes e assumirem, com coragem e responsabilidade, o protagonismo na gestão fiscal nacional.



Fonte Oficial: https://www.contabeis.com.br/artigos/72184/orcamento-publico-e-estrategia/

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